Por Anna Carolina Nogueira
Não se fala de outra coisa em Buenos Aires. Com tom de pavor ou de total descrédito, o assunto principal em qualquer roda é a gripe porcina – como chamamos por aqui nossa querida influenza H1N1. Lavar as mãos a cada minuto, evitar metrôs …¿usar ou não máscaras? As prateleiras da farmacity apontam a histeria coletiva: não há mais álcool em gel.
A minha opinião? Está logo acima: histeria coletiva. Mas ninguém quer saber a minha opinião, muito menos as 15 pessoas que morreram ontem. Fecharam as escolas, metade das minhas aulas foram canceladas, há cada vez mais pessoas máscaradas nas calles porteñas… realmente não é o melhor momento pra visitar a cidade, mas se eu tivesse minha passagem comprada não deixaria de vir – salvo que estivesse grávida ou não tivesse lá o melhor dos organismos. O comércio está aberto e os restaurantes também, não é todo mundo que está pirando com isso. Mas como seguro morreu de velho, talvez seja melhor deixar a boate badalada para uma ocasião em que belos argentinos de higiene duvidosa não irão tossir em cima de você. A lo mejor, não corremos o risco de fila nos restaurantes mais badalados – ainda assim, não custa fazer reserva.
Talvez na semana passada o governo estivesse muito preocupado com as eleições – dizem por aí que podem até ter escondido informações gripais para não afetar os resultados – para pensar na gripe e não esteja mesmo lidando com ela da melhor forma possível, o que me dá a impressão de que ninguém sabe quais serão os próximos capítulos e até onde o estado de emergência vai. Eu não sei se minhas aulas serão canceladas na próxima semana ou se estarei na cama com o porquinho, só sei que não conheço ninguém que tenha pegado a tal gripe por aqui. Nem mesmo conheço alguém que tenha um primo cujo vizinho pegou. Portanto, enquanto não fizerem a tal máscara em rosa pink, acho que não vou usar.
Comentários