Por Ricardo Cohen Fróes

Todos tem um lugar preferido no mundo: alguns vibram com as areias de Ipanema, outros com a 5ª Avenida em NY, mas, certamente, o meu é o bairro do Marais em Paris – me sinto completamente em casa, tanto que da última vez que estive em Paris fiquei somente no bairro – com duas escapadas, uma ao Georges Pompidou (o terraço do Georges tem a melhor vista de Paris) e outra a um restaurante na Bastilha. Torre da última vez, passei longe. Nem Saint-Germain que eu tanto gosto eu fui.
O Marais é o bairro gay e judaico de Paris, uma espécie de Soho local, com vários restaurantes trendies, cafés charmosos, brechós incríveis, lojas descoladas – como Fred Perry e Jamin Puech- museus (o Museu Picasso fica lá), galerias de arte, a casa européia de fotografia, além de bares e boates gays incríveis. O bairro ferve à noite.
Domingo também é um dia ótimo para passear pelo bairro, na Rue des Rosiers, come-se o melhor falafel do mundo (já saiu até no NY Times como o melhor da Europa), tudo isso ao lado de vários jovens judeus ortodoxos, turistas, modelos – uma diversidade incrível.
O hotel que eu fico é sempre o mesmo : Hotel Sevigné (2 Rue Malher). Um 2 estrelas bem charmoso – sem muito luxo – mas com uma cama boa, tv, banheiro no quarto e uma varanda para a rua – como o que mais prezo no mundo é localização – esse hotel é ótimo – fica em frente a estação de Saint-Paul Le Marais e em frente a 2 supermercados e um cyber café – melhor impossível.
O meu restaurante preferido no bairro é o Les Philosophes (28 rue Vieille du Temple)- para comer e ir direto para o céu – tudo uma delícia (peça a salada de salmão defumado de entrada) e uma garrafa de vinho tinto (o Côte de Brouilly foi indicado pelo meu amigo que trabalha na Vogue Paris – demais!!!). O restaurante não é dos mais baratos, mas vale a pena, o público é dos melhores e peça uma mesa na calçada.
Na Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie tem lojas ótimas de design, moda e um brechó gigante – onde se encontra desde objetos bem vintages a lenços Hermès). Existe outro brechó na Rue des Rosiers (nem nome tem) com roupas incríveis também (a dona é uma judia de Tel Aviv simpatississima).
Quanto ao assunto night – posso falar dos lugares GLS – como o L’Open (pré-balada), Raidd Bar (genial, uma experiência antropológica), Le Cud (para dançar até cair) e o Duplex. Bom lembrar que não se paga para entrar nessas boates, mas a bebida por lá fica na faixa de 10 euros a dose. Levei a minha amiga Ju, que é bem patricinha e ela adorou. Não tem como não gostar. A não ser que você seja um homofóbico, mas aí você mereceria entrar só numa cela de prisão.
Para curtir o dia, um programa imperdível é a Casa Européia de Fotografia, sempre com exposições incríveis de grandes fotógrafos – na última que fui, ainda dei de cara com a atriz Natalie Portman . Levei o maior susto.
Mas o bom do Marais é andar, andar, sem rumo e descobrir as belezas do bairro – como aconteceu comigo – que conheci um restaurante bem inusitado, o Dans Le Noir (onde todos os fregueses são servidos por garçons cegos e no escuro). Que tal?
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