Se tem algum lugar neste planeta que eu recomendaria a algum amigo sem pestanejar, este lugar seria Portugal. Chegar a Portugal é como sair de casa para conhecer sua mãe, caso você tenha nascido e algum infeliz tenha te tirado dela. Sabe aqueles reencontros que o Gugu adora promover? Então, tipo aquilo. Sem pieguices ou clichês, Portugal é nossa pátria-mãe e a gente se reconhece em cada esquina daquele país.
Um casal-amigo está de passsagem comprada para uma gincana pela Europa, daquelas conheça 435 cidades em 7 dias, e me pediu uma sugestão de passeio por Lisboa. Apesar de a minha preferência ser de longe, muito longe, a cidade do Porto, Lisboa também agrada. E muito. Principalmente para quem curte a mistura do velho com o novo e a energia pulsante de uma capital em pleno processo de renovação – com bares, restaurantes, clubs e lojas descoladas pipocando a cada esquina.
O Fado, os azulejos, o bondes, as sete colinas, o bacalhau e o pastel de nata continuam clássicos imbatíveis, mas existe vida moderna na tradicionalíssima Lisboa.
O Chiado, por exemplo, bairro boêmio da cidade tem visto suas ruelas serem invadidas por novas arquiteturas, capitaneada especialmente pelo arquiteto-sensação da cidade Alvaro Siza Vieira – o Niemeyer deles – que está à frente do projeto de remodelação da vizinhança. Tem cortado um dobrado para contornar os problemas de infra-estrutura do histórico bairro, mas os primeiros sinais de mudança já começam a aparecer. É dele também o pavihão de Potugal, que fica no complexo do Parque das Nações, à beira do Rio Tejo, construído para a Expo 98 que rolou por lá. Hoje em dia o lugar é onde se encontram metrô-ônibus-trens, teleféricos, Oceanário, um grande shopping, museu e mais uma penca de coisinhas para se fazer. Vale a visita depois de visitar todo o centro histórico.
Outro bairro sensacional é Alfama. Lá no alto – que pode ser acessado de ônibus ou bonde – fica o Castelo de São Jorge que tem o início de sua construção datado do século II A.C. O Castelo já serviu de fortificação contra ataques, de Paço Real e palco para a primeira encenaçao da peça de Gil Vicente, o Monólogo do Vaqueiro. A fila para entrar é meio chatinha, mas uma vez lá dentro seu queixo cai e a vista que se tem de Lisboa é de chorar. Sem contar que dentro dos muros do Castelo parece uma outra cidade, medieval, parada no tempo. Lá dentro tem um restaurante bastante honesto, chamado Casa do Leão. Antigamente, coisa de 600 anos, ali era a casa das feras, onde ficavam os leões, tigres e esses bichos selvagens que eram usados para divertir o rei. Tipo Gladiador, sabe? Hoje em dia é um restaurante super descolado e uma ótima opçõa para unir turismo e coolzice.
Mas descolândia mesmo é o Bairro Alto. Uma mistura de Santa Teresa+Lapa+Ipanema o bairro que nunca saiu de moda agora é quase uma Gisele Bündchen. É verdade que alguns bequinhos à noite podem ser bastante assustadores, mas faz parte do pacote. É no bairro Alto que fica a loja da Osklen, Zara, Colcci, Diesel, Custo Barcelona… Enfim, todas as marcas que importam no mundo estão por lá. É uma ótima chegar por lá no finzinho do dia, tipo 5, 6 horas ficar passeando pelas lojas até escurecer. Depois sentar em um dos milhares cafés e bares por ali e começar a beber. Você vai ver o perfil do bairro mudar. Saem os turista carregados de sacola e entra o povo ávido por uma cervejinha e começar a ferver. De repente as ruas – que agora estão interditadas ao trâsnsito – vão lotar e você vai se sentir no Baixo Gávea.
Alguns lugares legais no bairro: Papaçorda (Tradicionalíssimo restaurante-Rua da Atalaia 57/59), o Restaurante Flores do Hotel Bairro Alto (cool e e cheio de gente linda, na Praça Luís de Camões), o Olivier (que é mais chiquezinho, ótimo para um jantar romantico e não é muito caro – Rua do Teixiera 35) BedRoom (Rua do Norte, 86), não tem mesa, mas camas, ótimo para uns drinques.
Outro lugar cool da cidade são as docas ou a região dos Cais, depende de como queira chamar. Começa lá no Cais do Sodré e termina na zona de Alcântara. Antigamente era só onde os navios descarregavam suas mercadorias, com aspecto pesado, industrial e abandonado. Depois de uma revitalização digna – coisa que deveria ser feito na região portuária do Rio – hoje em dia é para onde vão os chiques, ricos e famosos da cidade.
Por ali na região dos Cais ficam os lugares mais badalados da cidade. A Bica do Sapato tem décor anos 70, hype no último grau e comida para agradar a todos, já que reúne no mesmo espaço sushi, cantina e restaurante tradicional. John Malkovich é sócio do empreendimento, só para sentir o burburinho. O mais legal é pedir uma mesa com vista para o Rio Tejo e ficar por ali fazendo hora até rumar para a Lux, a discoteca mais bacana da cidade, onde tudo acontece. E o melhor? A Lux fica exatamente anexa à Bica do Sapato. Prepare-se porque a mocinha da porta pode ser bem chata e a entrada custa carinho. Mas enfim, você está de férias, né? Dia 24 rola o Bonde do Rolê por lá, nossa banda brasileira que está levando o funk-eletrônico para o mundo.
Outro restaurante que TODO mundo fala sobre é o Pavilhão Chinês (Rua D. Pedro V, 89). Há uns bons 100 anos o lugar era só uma mercearia com tradição na venda de especiarias. Hoje, é point. Para entrar deve-se tocar uma campainha e você será recepcionado por um funcionário muito simpático, impecavelmente vestido que te levará até a mesa. É uma experiência bem bacana. Recomendo fortemente.
Outro lugar bacana na região das docas é o Kais, club-restô. instalado em um velho armazém à beira Tejo, onde, nos finais do século XIX, se gerava a energia para os eléctricos que ainda hoje circulam pelas ruas de Lisboa. Imperdível. Os donos do Kais têm ainda um monte de outros empreendimentos pela cidade, todos começados com a letra K e garantia de boa comida+ambiente legal+ gente bonita. Portanto, viu um K dando sopa, pode entrar que é garantido.
Parasaber o que tá rolando culturalmente na cidade, recomendo este site.
O meu museu favorito em Lisboa é a Fundação Gulbenkian que reúne todo o acervo de Calouste Gulbenkian, um grande homem de Istambul, respeitabilíssimo por sua atuação diplomatica, que Portugal acolheu. Por ali ele disse que nunca havia sentido tamanha receptividade em lugar algum do mundo e resolveu se instalar enquanto tentava se manter longe dos imbróglios da Segunda Guerra Mundial. A Fundação é gigante, e suas dependencias são lindas. Tire pelo menos uma manhã ou uma tarde inteira para se deixar perder entre os jardins e as zilhões de salas. Comece pelo acervo, depois siga para o prédio das artes modernas, dê um pulo na biblioteca e confira se não vai haver nenhum concerto naquele dia na sala de música. É um lugar como poucos no mundo.
Outro lugar imperdível na capital portugues é o Mosteiro dos Jerônimos que os lusos adoram dizer que é a mais bela materialização da arquitetura Manuelina. Encomendado pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da sua viagem à Índia, foi financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias. Além de uma igreja linda, um pátio de tirar o fôlego o Mosteiro ainda tem os túmulos de Camões, Vasco da Gama, Fernando Pessoa e outros grandes nomes portugueses. Ao lado do mosteiro fica a loja mais famosa dos pastéis de belém.
Enfim, Portugal é um lugar de descobertas. Ande, muito, sem parar e descubra a sua própria Lisboa. Aquela que te agrada mais e a que te faça se reconhecer mais. Seja aleatório, é o meu conselho.






Eu te amo mais depois da segunda frase desse texto. E pela primeira vez eu tive real vontade de conhecer Lisboa.
Um dia quero fazer somente Portugal….somente…
Gente, adorei o post, mas queria fazer só uma correção: não são 7 dias e muito menos 435 cidades (quem dera!), é 1 mês de férias de bunda para o sol europeu e com um tempinho bem razoável para as cidades. Não chocha não!
Com diz você mesmo: em Paris a gente brilha. Beijo!
Eu adoro Lisboa. Já fui no Bica do Sapato e adorei, o lugar é mesmo muito bom.Ler o post me fez ter boas recordações…