Uma tarde no centro do Rio

24 05 2008

Há quem ame, mas também há quem odeie o centro da cidade do Rio. Eu adoro, apesar de sempre acabar perdido em um beco cheio de mendigos. Esse foi o meu destino de hoje para conferir duas coisas por lá.

A primeira é a exposição do artista francês Nicolas-Antoine Taunay, que está em cartaz desde o dia 06 de maio no Museu Nacional de Belas Artes, na Avenida Rio Branco.  A mostra  – a primeira retrospectiva do pintor que fez fama no Brasil junto da Missão artística francesa, que desembarcou por aqui durante o reinado de D.João VI – abarca setenta e uma obras. Entre os quadros expostos estão cinco pinturas do acervo do Château de Versailles, e trabalhos que pertencem ao Palácio de Queluz, Portugal e ao Victoria & Albert Museum, de Londres, entre outros. A mostra é bem representativa, organizada cronologicamente e o vídeo da sala final, onde Lilia Moritz Schwartz explica a trajetória do artista já valeria a visita, pela clareza, bom humor e conhecimento de causa da historiadora.

O prédio do Museu ainda está em reformas, que já se estendem há milênios, mas nada que atrapalhe a visita. A entrada custa R$5, estudantes e idosos pagam míseros R$2 e o ingresso dá acesso à exposição do Taunay e a parte do acervo permanente do museu – que convenhamos, é sensacional. Ali no terceiro andar, onde se encontram as salas dedicadas às artes modernas e contemporânea é impossível não se deixar arrebatar por Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Beatriz Milhazes, Abraham Palatinik, Rubens Gerchman… A parede inteira coberta pelo Navio Negreiro do Di Cavalcanti é de sentar e chorar.

O único problema da visita foram os desumidificadores instalados no meio das salas num clima bem improvisado, a falta de sinalização das salas, nenhum mapa do museu estava disponível na bilheteria e nenhum programa explicando sobre a exposição ou mesmo falando um pouco sobre a importânca do Museu e seu acervo. Nunca vi isso em lugar nenhum do mundo, um museu onde nenhum folder pode ser consultado e nenhuma loja para comprar os catálogos, postais ou qualquer bugiganga relativa ao museu eram encontradas. Água? Só do bebedor. Café? Só do outro lada rua, mesmo. Uma comidinha qualquer no clima do lindo prédio? Nem sonhe com isso.

O Museu fica na Av. Rio Branco, 199 e abre de terça à sexta de 10h as 18h. E sábados e domingos de 12h as 17h.

Bom, saindo dali fui ao Shopping Vertical conferir a nova febre da cidade: o restaurante Go Sushi. Pensou em mais uma chatíssima Temaqueria? Errou, feio. A idéia do restaurante, que fica no 13ºandar do Shopping cool do centro da cidade, é o de democratizar ainda mais – e não é que possível? – a comida japonesa. É um fastfood de comida japonesa. Do tipo que você pede um combo pelo número e o seu combinado virá numa bandeja, em embalagens de papel, tal qual qualquer fastfood por aí.

Mas o mais bacana do Go Sushi é que tudo é só uma referência, o clima despojado é meticulosamente pensado e tudo foi criado para que pareça fast, mas os detalhes – desde a decoração até o uniforme dos funcionários – foi desenhado, redesenhado, estudado e dissecado por meses até se chegar ao formato ideal. A parede de mangá é sensacional, assim como os banners expostos acima do caixa com as imagens dos produtos. A identidade visual foi criada pelo grifado Ricardo Brautigam, o nome por trás da Ausländer.

O melhor de tudo? Os preços. Honestíssimos. Um problema? O restaurante só abre de segunda à sexta de 10 da manhã as 18 da tarde. A dica não vale para um programa de fim-de-semana no centro e, nesse horário, só já estando no centro.

O GoSushi fica na Rua Sete de Setembro 48, no 13ºandar.