Dia de trocar de hotel começa com uma arrumação. 9 horas da manhã, já havia empacotado as coisas, tomado café e pronto para começar a maratona turística. Deixei a mala na recepção, fiz o meu check-out e segui para os jardins do Trocadéro – o melhor lugar para observar e fotografar a Torre Eiffel – para dar uma olhadinha no cartão postal mais famoso da cidade. Ela estava lá, do mesmo jeito e com a mesma beleza vista da última vez.
Em seguida, atravessei a Ponte de L’alma, que fica ao lado do túnel onde a princesa Diana morreu em um acidente de carro. Conferi as mensagens deixadas no muro do túnel – a prefeitura da cidade apaga periodicamente – e subi a Avenida Presidente Wilson em direção ao Musée de la Mode et du Costume. No caminho dei uma paradinha na feira livre que funciona por ali às quartas-feiras, no canteiro central, comprei umas nectarinas e me sentei no jardim do museu e improvisei um piquenique num dos bancos gelados do lugar. Depois de alimentado, era hora de subir as escadas do museu e alcançar a recepção. Com a montagem da próxima exposição individual em andamento, o museu estava fechado, já que ele nao tem acervo permanente. Hora de colocar o plano B em ação.
Ali em frente, fica uma das minhas galerias favoritas em Paris: o Museu de Arte Moderna, mais conhecido como Palais Tokyo. Recomendo, antes de entrar, uma descida até o terraço do café, sentar-se ao ar -frio – livre e observar uma das vistas mais lindas da cidade com a torre a menos de 500 metros de você, emolduradas por árvores e com o rio Sena ao seus pés. No topo do Palais Tokyo uma cápsula verde chama a atenção. Trata-se de uma criação dos artistas Sabina Lang e Daniel Baumann que propuseram uma nova modalidade de arte interativa. A quem interessar possa, até o dia 31 de dezembro deste ano, a cápsula funciona como uma suíte de hotel, exclusivíssima com a melhor vista da cidade que alguém pode ter. A obra chama Hotel Everland e está catalogado como um quatro estrelas. As diárias começam em 338 Euros e as reservas só para daqui a dois meses. É uma daquelas curiosidades da vida que a gente acha que só vai conhecer de ouvir falar.
Enfim, dentro do Palais duas exposições temporárias estão em cartaz. Uma do coletivo Gelitin, que espalhou imagens de coco pelas paredes, desconstruíram a exposição e trabalharam brilhantemente colagens em fotos e quadros. É tudo bem anárquico e maluco. A outra é a do artista alemão A.R.Penck. Esta mais contida e politicamente engajada.
Hora de voltar aos arredores do Luxemburgo para recuperar minha mala e almoçar. Antes, já nas redondezas, um pulo na loja Clef des Marques, no número 136 do Boulevard Raspail onde você pode encontrar – se fuçar muito – ótimas peças por preços melhores ainda. Arrematei um colete Paul Smith e uma camisa de manga longa Helmut Lang por 35 euros. As duas.
O almoço foi no restaurante italiano La Mamma, ali do lado, no número 46 da Rue Vavin. O ambiente é bem cantina no Bixiga paulistano, frequentada exclusivamente por parisenses da redondeza do bairro considerado pelo Le Nouvel Observateur o m² mais caro da cidade. O preço das massas, ao contrário, passa ao largo da bolha especulativa imobiliária. Tomei uma taça de vinho da casa, comi uma lazanha deliciosa e a conta que me chegou foi de 15 Euros. Tudo perfeito: atendimento e comida. Sem luxos ou frescuras. Recomendo. Leia o resto deste post »



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