Dia 02 - Paris

15 04 2008

Palacio de Luxemburgo

Refeito após 8 horas de sono, tomei meu café e era hora de encarar os 5ºC da primavera parisiense. Fazia um dia bonito, ótimo para as longas caminhadas planejadas. A primeira parada foi o Jardim de Luxemburgo, meu lugar favorito na cidade. Enquanto no ipod rolava minha banda francesa favorita, a Nouvelle Vague, sentei no laguinho central, de frente para o Palácio de Luxemburgo, construído por Marie de Médices no séc XVII e onde hoje funciona o Senado francês. Fiquei por ali, em uma das cadeiras de ferro reclinadas, cerca de uma hora observando os franceses se exercitando - eles são fanáticos por cooper - jogando tênis, ou levando as crianças e os cachorros para brincarem em seus mais de 25 hectares de área, no coração do 6éme arrondissement.

Eram quase dez horas quando segui para o Musée D’Orsay. Fui andando em direção ao Rio Sena, passei em frente à Taschen - loja com os livros de arte mais descolados do planeta - , na Rue de Buci, virei a Rue Dauphine, onde me chamou a atenção uma loja dedicada a produtos de seda japonesa. Tudo que você imaginar em termos de decoração, roupas e brinquedos, mas feitos de seda. Vale a visita.

Após conferir o estoque, segui em frente e virei à esquerda na Quai des Grands-Augustins. No meu caminho, a loja do belga Dries Van Noten, com cara de galeria de arte no número 7 da Quai Malaquais, fez minha chegada ao museu atrasar por pelo menos meia hora. Lá dentro, a reprodução de uma biblioteca, com muito tecido mostarda e decoração renascentista-clássica-barroca faz a loja parecer qualquer coisa, menos uma loja de roupas. Lindo, lindo.

Mais uma hora de atraso ficou por conta da livraria da editora Documentation Française, especializada em livros de economia, ciência política, relações internacionais e afins, localizada no número 29 da Quai Voltaire. Para um aspirante a diplomata como este que vos escreve, a loja parecia o paraíso na Terra.

Quase €100 mais pobre e com mais cinco livros na mochila, o relógio já passava de uma da tarde quando avistei a imensa fila que se formava na porta do Museu. Era muita gente, mas a demora da entrada era culpa da rigorosa revista que todo eram submetidos à entrada. Meia horinha na fila e eu já estava com o ingresso na mão (€5,50 - na tarifa reduzida para os menores de 28 anos), tempo de desbravar o museu que se transformou na casa dos Impressionistas no mundo.

Contrariando as recomendações de começar a visita pelos andares mais alto dei início aos trabalhos pelo nível -1 onde ficam os realistas e os academicistas. No segundo andar, uma linda exposição temporária sobre o art-nouveau já valeu a tarde no museu. Ambientes inteiros decorados com móveis típicos do movimento faziam concorrência ferrenha aos meus artistas favoritos que também estavam no segundo andar do museu: Klimt,  Munch e Rodin.

Restaurante do MuseuCom os pés já doendo e o estômago começando a roncar parei a visita para almoçar no charmosíssimo restaurante do Museu. Dei uma olhada no Menu e me surpeendi com os preços praticados e praticáveis, coisa rara em restaurante de lugares turísticos. Pedi uma Caesar Salad pequena (7 Euros) e um Entrêcote bem passado com batatas fritas, tomates assados e um molho à parte (9 Euros). Preços honestos, apresentação perfeita e sabor ok. Comi superbem, em um ambiente excepcional com lustres de cristal, piano e obras espalhadas pelo salão do restaurante. Recomendo. Após o almoço, o terceiro andar e a famosa sala dos impressionistas. A ala do Gauguin é uma das coisas mais lindas.

Após o D’orsay, desci a Rue du Bac até a Igreja da Medalha Milagrosa. Adoro a igreja e prometi que toda vez que estiver em Paris uma passada para agradecer eu darei. Não custa nada, né? Com as obrigações divinas em dia era hora de dar uma passada no templo do consumismo, o Le Bon Marché - a galeria de compras mais sofisticada de Paris - fica logo em frente. O andar feminino parece o museu da moda com as peças das coleções novíssimas dos principais estilistas expostas como obras de arte. O melhor de tudo da loja é que é muito mais vazia que a Printemps e a Lafayette, sem ninguém te enchendo o saco ou pisando no seu pé o tempo todo.

O Le Bon Marché tembém tem um prédio inteiro dedicado à comida e material para a casa, logo ao lado do prédio central. Recomendo fortemente. O setor dos produtos gourmet é de largar a família e passar a vida ali comendo.

Já era quase noite quando saí do Bon Marché e segui para casa pelo Boulevard Raspail. No caminho, cruzei com uma imensa manifestação de estudantes secundários franceses. Eram mais de 40 mil, como eu li no dia seguinte no Le Monde. As ruas todas estavam cercadas de policiais prontos para atacar e os estudantes, que protestavam contra a redução do número de vagas de professores no ensino público. Parei um pouco para observar a movimentação mas desisti logo em seguida quando garrafas de vidros começaram a voar, vindas dos manifestantes e os policiais começaram a revidar com bombas de gás lacrimogênio. Era hora de voltara para casa, exausto, mas satisfeito.


Ações

Informações

4 respostas para “Dia 02 - Paris”

16 04 2008
ju (00:49:38) :

Saiu o resultado da companhia aérea. Veja os dez nomes selecionados. Tem até “Abraço”. tô revoltada.

16 04 2008
ju (00:50:55) :

Se não sabem nem fazer publicidade, imagina treinar os pilotos.

16 04 2008
La Poderosa (12:20:52) :

“o setor de produtos gourmet é de largar a família”
hahaha otimaaaaa essa! adorei!
continua postando tuuuudo aí de Paris!
beijão/have a nice trip.

17 04 2008
Ale Garattoni (05:29:13) :

1- Eu to com medo de entrar na Taschen. Liga lá e manda fechar em julho e reabrir em setembro?
2- To mal de cabeça, não estou mais dentro da “faixa de descontos” do Louvre… Quando é que chega na “faixa de idoso”?
3- Amo o Louvre e o D’Orsay!
4- Ainda prefiro a clima confusinho turistico da Lafayette. Gosto de me sentir turista cafona em Paris (que não percebam essa minha veia popular na imigração)…
5- To planejando comprar um terço em cada igreja que eu passar na lune de miel, que tal?! Tem que rezar mt pelo desencalhe, né?!!

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